Paulo Macedo defende melhores salários para dirigentes públicos e fim de indexação a salários dos políticos

Paulo Macedo defende melhores salários para dirigentes públicos e fim de indexação a salários dos políticos

"Tem de se desindexar estas remunerações das dos políticos (...) Quando dizemos mal da Administração Pública temos de saber se estamos disponíveis para pagar mais aos dirigentes", afirmou o presidente da Caixa Geral de Depósitos.

Lusa /
Foto: RTP

O presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD) disse hoje, em Lisboa, que é preciso subir os salários dos dirigentes da Administração Pública e que devem deixar de ter como referência os salários dos políticos.

"Quando dizemos mal da Administração Pública temos de saber se estamos disponíveis para pagar mais aos dirigentes", disse Paulo Macedo numa intervenção no final de um almoço-debate organizado pela Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE), em Lisboa.

Paulo Macedo disse ainda que os salários de cargos políticos devem deixar de ser referência para a remuneração de dirigentes de topo da Administração Pública.

"Tem de se desindexar estas remunerações das dos políticos", afirmou.

Considerou ainda o gestor que deve haver mais flexibilidade em premiar os melhores trabalhadores públicos, seja com progressão da carreira seja com prémios, sem ser necessário esperar por resultado de avaliação ou concurso que demoram tempo.

Paulo Macedo contou que quando foi diretor-geral dos Impostos quis promover uma trabalhadora a diretora e que essa lhe pediu que não o fizesse até porque não ia ganhar mais já que estava no topo da carreira e sem possibilidade de ver melhorada a remuneração.

A lei estabelece que os salários dos funcionários do Estado não podem ultrapassar o do primeiro-ministro.

O salário base mensal bruto do primeiro-ministro é de cerca de 6.000 euros, a que se somam suplementos.

Contudo, algumas entidades têm exceções nos salários dos seus gestores, caso da Caixa Geral de Depósitos (detida a 100% pelo Estado), por se considerar que é empresa em regime de concorrência.

No total de 2025, Paulo Macedo, presidente executivo da CGD, auferiu 433 mil euros em remuneração fixa (cerca de 30 mil euros por mês), a que se soma a remuneração variável, segundo o relatório e contas do banco.

Já no total, segundo o jornal Eco noticiou em abril, Macedo auferiu 964 mil euros em 2025, sendo este valor mais baixo entre os presidentes dos cinco maiores bancos que operam em Portugal.

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